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terça-feira, 3 de abril de 2012

Vigília Pascal na Noite Santa




Vigília significa estar de vela na noite. Na tradição judaica passava-se a noite do dia 14 fr Nisán (início do ano) em vigília, para recordar a passagem de Yahvé, o êxodo do Egipto. Muito cedo os cristãos fizeram o mesmo para celebrar a noite pascal, permanecendo de vigília, à espera do dealbar da ressurreição, com leituras, salmos e orações. A vigília por excelência é a Vigília Pascal.

No Sábado Santo, a Igreja permanece junto do sepulcro do Senhor, meditando na sua Paixão e Morte. Abstém-se do sacrifício da Missa (a mesa sagrada continua despida) até ao momento em que, depois da solene Vigília ou expectativa nocturna da ressurreição, se dará lugar à alegria pascal, que na sua plenitude se prolonga por cinquenta dias.

Neste dia não é permitido distribuir a sagrada comunhão, a não ser como viático.





Vigília pascal na Noite Santa

Na noite, em que Jesus Cristo passou da morte à vida, a Igreja convida os seus filhos a reunirem-se em vigília e oração. Na verdade, a Vigília pascal foi sempre considerada a mãe de todas a vigílias e o coração do Ano litúrgico. A sensibilidade popular poderia pensar que a grande noite fosse a noite de Natal, mas a teologia e a liturgia da Igreja adverte que é a noite da Páscoa, «na qual a Igreja espera em vigília a Ressurreição de Cristo e a celebra nos sacramentos» (Normas gerais sobre o Ano litúrgico, 20). No texto do Precónio pascal, chamado o hino “Exsultet” e que se canta nesta celebração, diz-se que esta noite é «bendita», porque é a «única a ter conhecimento do tempo e da hora em que Cristo ressuscitou do sepulcro! Esta é a noite, da qual está escrito: a noite brilha como o dia e a escuridão é clara como a luz». Por isso, desde o início a Igreja celebrou a Páscoa anual, solenidade das solenidades, com um vigília noturna.



Segundo uma antiquíssima tradição, esta é uma noite de vigília em nome do Senhor (Ex 12, 42), noite que os fiéis celebram, segundo a recomendação do Evangelho (Lc 12, 35 ss.), de lâmpadas acesas na mão, à semelhança dos servos que esperam o Senhor, para que, quando Ele vier, os encontre vigilantes e os faça sentar à sua mesa.

Toda a celebração da Vigília Pascal se realiza de noite, isto é, não se pode iniciar antes do anoitecer do Sábado e deve terminar antes do amanhecer do Domingo.

A Missa da Vigília Pascal, ainda que termine antes da meia-noite, é a Missa pascal do Domingo da Ressurreição. Quem participar nesta Missa pode comungar de novo na segunda Missa da Páscoa.

Quem celebrar ou concelebrar a Missa da Vigília pode celebrar ou concelebrar de novo na segunda Missa da Páscoa.

O sacerdote e os ministros revestem-se, desde o princípio, com paramentos brancos, como para a Missa.

Preparam-se velas para todos os que tomam parte na Vigília.



A celebração da Vigília pascal articula-se em quatro partes: 1) a liturgia da luz ou “lucernário”; 2) a liturgia da Palavra; 3) a liturgia batismal; 4) a liturgia eucarística.

1) A liturgia da luz consiste na bênção do fogo, na preparação do círio e na proclamação do precónio pascal. O lume novo e o círio pascal simbolizam a luz da Páscoa, que é Cristo, luz do mundo. O texto do precónio evidencia-o quando afirma que «a luz de Cristo (...) dissipa as trevas de todo o mundo» e convida a «celebrar o esplendor admirável desta luz (...) na noite ditosa, em que o céu se une à terra, em que o homem se encontra com Deus!».

2) A liturgia da Palavra propõe sete leituras do Antigo Testamento, que recordam as maravilhas de Deus na história da salvação e duas do Novo Testamento, ou seja, o anúncio da Ressurreição segundo os três Evangelhos sinópticos, e a leitura apostólica sobre o Batismo cristão como sacramento da Páscoa de Cristo. Assim, a Igreja, «começando por Moisés e seguindo pelos Profetas» (Lc 24,27), interpreta o mistério pascal de Cristo. Toda a escuta da Palavra é feita à luz do acontecimento-Cristo, simbolizado no círio colocado no candelabro junto ao Ambão ou perto do Altar.

3) A liturgia batismal é parte integrante da celebração. Quando não há Batismo, faz-se a bênção da fonte batismal e a renovação das promessas do Batismo. Do programa ritual consta, ainda, o canto da ladainha dos santos, a bênção da água, a aspersão de toda a assembleia com a água benta e a oração universal. A Igreja antiga batizava os catecúmenos nesta noite e hoje permanece a liturgia batismal, mesmo sem a celebração do Batismo.

4) A liturgia eucarística é o momento culminante da Vigília, qual sacramento pleno da Páscoa, isto é, a memória do sacrifício da Cruz, a presença de Cristo Ressuscitado, o ápice da Iniciação cristã e o antegozo da Páscoa eterna.

Estes quatro momentos celebrativos têm como fio condutor a unidade do plano de salvação de Deus em favor dos homens, que se realiza plenamente na Páscoa de Cristo por nós. Por consequência, a Ressurreição de Cristo é o fundamento da fé e da esperança da Igreja.





A luz e a água

A Vigília na noite santa abre com a liturgia da luz, evocando a ressurreição de Cristo e a peregrinação de Israel guiado pela coluna de fogo. A liturgia salienta a potência da luz, como o símbolo de Cristo Ressuscitado, no círio pascal e nas velas que se acendem do mesmo, na iluminação progressiva das luzes da igreja, ao acender das velas do altar e com as velas acesas na mão para a renovação das promessas batismais. O símbolo mais iluminador é o círio, que deve ser de cera, novo cada ano e relativamente grande, para poder evocar que Cristo é a luz dos povos. Ao acender o círio pascal do lume novo, o sacerdote diz: «A luz de Cristo gloriosamente ressuscitado nos dissipe as trevas do coração e do espírito» e depois apresenta o círio como «lumen Christi - a luz de Cristo». Quando alguém nasce, costuma-se dizer que «veio à luz» ou que «a mãe deu à luz». Podemos, por isso dizer que a Igreja veio à luz na Páscoa de Cristo. De facto, toda a vida da Igreja encontra a sua fonte no mistério da Páscoa de Cristo.

A água na liturgia é, igualmente, um símbolo muito significativo. «A água é rica de mistério» (R. Guardini). Ela é simples, pura, limpa e desinteressada. Símbolo perfeito da vida, que Deus preparou, ao longos dos tempos, para manifestar melhor o sentido do Batismo. A oração da bênção da água faz memória da ação salvífica de Deus na história através da água. Com efeito, a água é benzida, para que o homem, criado à imagem e semelhança de Deus, «no sacramento do Batismo seja purificado das velhas impurezas e ressuscite homem novo pela água e pelo Espírito Santo». Na tradição eclesial, a fonte batismal é comparada ao seio materno e a Igreja à mãe que dá à luz

O simbolismo fundamental da celebração litúrgica da Vigília é o de ser uma “noite clara”, ou melhor «a noite que brilha como o dia e a escuridão é clara como a luz». Esta noite inaugura o “Hodie - Hoje” da liturgia, como se tratasse de um único dia de festa sem ocaso (o dia da celebração festiva da Igreja que se prolonga pela oitava pascal e pelos cinquenta dias do Tempo pascal), no qual se diz «eis o dia que fez o Senhor, nele exultemos e nos alegremos» (Sl 118).




Solene início da Vigília ou Lucernário


Introdução ao espírito da Celebração

Depois da cuidadosa preparação que foi para nós a Quaresma, vamos celebrar a ressurreição de Jesus, a Sua vitória sobre o pecado e a morte.

Nesta noite santíssima em que Jesus passou da morte para a vida, a Igreja convida os seus filhos para uma vigília de oração.

Começamos com a bênção do lume novo. Cristo é a luz que ilumina o mundo inteiro e a Sua ressurreição gloriosa é farol de luz para todos os homens.

Teremos, depois, a liturgia da palavra, com a meditação mais pausada da palavra de Deus, que enche a nossa alma da luz de Jesus.

Seguir-se-á, depois, a liturgia baptismal. Pela água do baptismo morremos com Cristo para o pecado e ressuscitamos com Ele para a vida nova da graça.

Finalmente, pela liturgia eucarística Jesus torna presente sobre o altar a Sua morte e ressurreição e alimenta-nos com a Sua carne e o Seu sangue, como Cordeiro da Páscoa nova



Bênção do fogo

As luzes da igreja devem estar apagadas.

Fora da igreja, em lugar apropriado, acende-se o lume. Reunido o povo nesse lugar, o sacerdote aproxima-se, acompanhado dos ministros, um dos quais leva o círio pascal.

Monição: Jesus ressuscitado é a luz que, na escuridão da noite, ilumina as almas de todos os homens. O Círio pascal é símbolo de Cristo. A sua luz comunica-se pela fé a cada um de nós, com a missão de a levarmos aos que estão à nossa volta.

Onde não for possível acender o fogo fora da igreja.

O sacerdote saúda o povo na forma habitual e faz uma breve admonição sobre o significado desta vigília noturna, com estas palavras ou outras semelhantes:

Caríssimos irmãos:

Nesta noite santíssima, em que Nosso Senhor Jesus Cristo passou da morte à vida, a Igreja convida os seus filhos, dispersos pelo mundo, a reunirem-se em vigília e oração. Vamos comemorar a Páscoa do Senhor, ouvindo a sua palavra e celebrando os seus mistérios, na esperança de participar no seu triunfo sobre a morte e de viver com Ele para sempre junto de Deus.

Em seguida, benze-se o fogo:

Oremos.

Senhor, que por meio do vosso Filho destes aos homens a claridade da vossa luz, santificai este lume novo e concedei-nos que a celebração das festas pascais acenda em nós o desejo do céu, para merecermos chegar com a alma purificada às festas da luz eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

Do fogo novo acende-se o círio pascal.



Preparação do Círio

Pode ser oportuno realçar a dignidade e o significado do círio pascal mediante alguns símbolos. Isto pode fazer-se do seguinte modo:

Depois da bênção do lume novo, um acólito ou um dos ministros apresenta o círio pascal ao celebrante, o qual, com um estilete, grava no círio uma cruz; depois grava a letra grega Alfa por cima da cruz e a letra grega Ómega por debaixo e, entre os braços da cruz, grava os quatro algarismos do ano corrente. Enquanto grava estes símbolos, diz:

1. Cristo, ontem e hoje

Grava a haste vertical da cruz.

2. Princípio e fim

Grava a haste horizontal da cruz.

3. Alfa

Grava o Alfa por cima da haste vertical.

4. e Ómega.

Grava o Ómega por debaixo da haste vertical.

5. A Ele pertence o tempo

Grava no ângulo superior esquerdo o primeiro algarismo do ano corrente.

6. e a eternidade.

Grava no ângulo superior direito o segundo algarismo do ano corrente.

7. A Ele a glória e o poder

Grava no ângulo inferior esquerdo o terceiro algarismo do ano corrente.

8. para sempre. Amen.

Grava no ângulo inferior direito o quarto algarismo do ano corrente.

Depois de ter gravado a cruz e os outros símbolos, o sacerdote pode colocar no círio cinco grãos de incenso, em forma de cruz, dizendo:

1. Pelas Suas chagas                    1

2. santas e gloriosas,

3. nos proteja                       4    2    5

4. e nos guarde

5. Cristo Senhor. Amen.               3



O sacerdote acende do lume novo o círio pascal, dizendo:

A luz de Cristo gloriosamente ressuscitado nos dissipe as trevas do coração e do espírito.



Estes elementos podem ser utilizados, no todo ou em parte, conforme as circunstâncias pastorais do ambiente e do lugar. Entretanto, as Conferências Episcopais também podem determinar outras formas mais adaptadas à índole dos povos.

Quando, por justas razões, não se acende o fogo, a bênção do lume será adaptada convenientemente às circunstâncias. Reunido o povo na igreja, o sacerdote dirige-se para a porta da igreja, acompanhado dos ministros com o círio pascal. O povo, na medida do possível, volta-se para o sacerdote.

Feita a saudação e a admonição, como acima no n. 8, procede-se à bênção do lume (n. 9) e, se parecer oportuno, prepara-se e acende-se o círio (nn.10-12).





Procissão

Monição: Depois de aceso o círio pascal, vamos, agora, acompanhá-lo em procissão, aclamando a Cristo luz de todos os povos.

O diácono, ou, na falta dele, o sacerdote, toma o círio pascal e, levantando-o, canta sozinho:

V. A luz de Cristo. Lumen Christi

R. Graças a Deus. Deo gratias



As Conferências Episcopais podem estabelecer uma aclamação mais solene.

Dirigem-se todos para a igreja, indo à frente o diácono com o círio pascal. Se se usa o incenso, o turiferário, com o turíbulo aceso, vai à frente do diácono.

À porta da igreja, o diácono pára e, levantando o círio, canta pela segunda vez:

V. A luz de Cristo. Lumen Christi

R. Graças a Deus. Deo gratias



Acendem então as velas do lume do círio pascal. A procissão continua; e, ao chegar junto do altar, o diácono, voltado para o povo, canta pela terceira vez:

V. A luz de Cristo. Lumen Christi.

R. Graças a Deus. Deo gratias.



E acendem-se as luzes da igreja (mas não as velas do altar: cf. n. 31).



O simbolismo fundamental da celebração litúrgica da Vigília é o de ser uma “noite clara”, ou melhor «a noite que brilha como o dia e a escuridão é clara como a luz». Esta noite inaugura o “Hodie - Hoje” da liturgia, como se tratasse de um único dia de festa sem ocaso (o dia da celebração festiva da Igreja que se prolonga pela oitava pascal e pelos cinquenta dias do Tempo pascal), no qual se diz «eis o dia que fez o Senhor, nele exultemos e nos alegremos» (Sl 118).





Cântico: Kerygma II - Ressurreição (Terceira Margem)



Na manhã da Ressurreição três mulheres ao sepulcro vão

E descobrem que a pedra rolou.

O anjo anuncia: “Ele ressuscitou!”

Elas vão a correr contar, Pedro e João vêm confirmar que



A promessa feita, acabou de ser cumprida

Depois do deserto, vem a Terra prometida

Ressuscitou, ressuscitou, ressuscitou Aleluia



É pra mim, é pra ti, é pra nós

A Boa Nova que temos na voz e cantamos com alegria

Acredita na verdade: Ele ressuscitou!

Este é o Kerigma, o caminho que conduz à eternidade.




Na nossa paróquia

Na nossa paróquia a Vigília pascal começa às 22h na Igreja Matriz de Vila do Conde. Todos somos convidados, no exterior, a participar no "acender do lume novo" e a levar velas, ou adquirir no local, para as acender no novo círio pascal.
A celebração decorre como anteriormente referido. Este ano, como habitualmente, teremos batismos durante a celebração e terminaremos com a apresentação das cruzes do Compasso Pascal a beijar.
Todos somos convidados a participar nesta Grande Vigília - a celebração por excelência para todos os católicos.



 

GINEL, Álvaro – Vocabulário Básico do Cristão. Edições Salesianas: Porto, 2001


Padre José Cordeiro, Reitor do Pontifício Colégio Português (Roma) em:





domingo, 1 de abril de 2012

Quinta-Feita Santa: Missa da Ceia do Senhor



Com a Quinta-feira Santa, termina a Quaresma e inicia-se o Tríduo Pascal. Na Eucaristia «in coena Domini» ou da Ceia do Senhor, canta-se o hino do Glória, seguido do toue dos sinos que não se ouvirão até à Vigília Pascal. O sacerdote profere a homilia conhecida por «Sermão do Mandato» e lava os pés “voluntários”. Despois da comunhão a reserva Eucarística é levada processionalmente para a capela lateral. No fim da Eucaristia retira-se a toalha do altar e cobrem-se as cruzes da Igreja. A capela do Santíssimo estará adornada com símbolos e a noite consagrada a especial visita aos sacrários.

A Quinta-feira Santa é para todos nós, cristãos, um dia de imensa alegria, porque nos leva às fontes da nossa condição de discípulos de Jesus Cristo, reunidos em Igreja, como Povo Sacerdotal.



Na origem da Eucaristia, como na origem de todas as grandes realidades e de todos os mistérios da fé cristã está um acontecimento, que pode ser revivido como um memorial, que pode ser atualizado e que pode continuar a frutificar como da primeira vez em que foi realizado. O Senhor prometeu à sua Igreja a presença do seu Santo Espírito, que faz de um acontecimento que teve origem no passado um acontecimento novo no nosso tempo, que foi há dois mil anos gerador de graça e salvação e continua a sê-lo ainda hoje.



A Páscoa judaica

Neste dia de Quinta-feira Santa, a liturgia dá-nos a possibilidade de recordarmos a origem da Eucaristia, que, sendo um acontecimento totalmente novo no seu alcance e no seu sentido, se insere dentro de uma antiga tradição, proveniente do Povo Hebreu, o povo a quem Deus começou a revelar-se. Anualmente, aquele povo reunia todos os seus motivos de ação de graças e de louvor e voltava-se para o Senhor num gesto de culto agradável e puro. A celebração da Páscoa dos judeus passou por fases diferentes, consoante as circunstâncias da sua vida e a forma de relação que tinha com o Deus único e Senhor de todas as coisas.

Enquanto povo nómada e peregrino num deserto duro, ofereciam ao Senhor um culto muito simples, por altura do início da Primavera: imolavam um cordeiro ou um cabrito, que assavam no fogo e comiam com as ervas amargas, de pé e com os rins cingidos. Tratava-se de uma forma de agradecer os bens que lhes permitiam a vida: os rebanhos e os poucos haveres de que dispunham, mas que reconheciam provir das mãos bondosas de Deus.

Enquanto povo sedentário, após a passagem do Mar Vermelho, depois da experiência do Sinai, interlocutores de Deus num processo de revelação e aliança, beneficiados com o dom de uma terra boa e fértil, começam a celebrar uma ceia pascal. Um ritual diferente, mas o mesmo louvor e ação de graças, agora com motivações mais claras e acrescidas: o Senhor tinha-se-lhes dado a conhecer como um Deus libertador e criador, como um Deus de aliança, que está presente e acompanha todos os passos dos seus filhos, num intuito de salvação.

O livro do Êxodo apresentava-nos hoje um resumo dessa longa experiência de um povo que quer ser chamado povo de Deus, porque tem consciência nascer dum acontecimento cuja iniciativa não é sua mas do próprio Deus e de que é um povo salvo, não pelas virtudes ou forças, mas pela misericórdia de Deus, que tira da desgraça em que caiu por causa da sua infidelidade. Esse grande acontecimento tem de ser celebrado de geração como um memorial: festejá-lo-eis por todas as gerações como lei perpétua… haveis de celebrá-lo com uma festa em honra do Senhor.



A última “Páscoa de Jesus”

É a última “Páscoa de Jesus”. Está em Jerusalém, percebeu que os fariseus aumentaram a rejeição da sua missão, estão a tramar a sua morte. O clima que reina em seu redor, mesmo entre os seus discípulos, é de tensão e tristeza. São obstáculos por todos os lados, sabem que não será fácil “celebrar esta páscoa” com a devida solenidade e alegria do coração, contemplando a memória da libertação do povo e estando no Templo. Mas Jesus não foge da sua missão e da sua presença na Páscoa. Ele sabe que não pode faltar a esse compromisso que revela a sua presença messiânica e fortalecedora no meio do povo. Enviou à frente os discípulos para preparar um lugar digno para celebrar “esta Páscoa” (Lc 22, 7-13). É Páscoa, é festa.

Ainda a Páscoa não foi celebrada, o Templo está um formigueiro de peregrinos, de levitas, sacerdotes que preparam tudo o que é necessário para os sacrifícios prescritos pela Lei. Os cordeiros de um ano, sem manca, sem defeito, estão prontos e preparados para serem sacrificados. O povo vai e vem, tentando descobrir se Jesus, este ano, também virá passar ali a Páscoa. Estão curiosos para ver como se resolverá o encontro do mestre Jeshua com os sumos sacerdotes.



Instituição da Eucarístia

Com Jesus Cristo, os gestos salvadores de Deus atingem o seu cume – Ele entrega-se à morte por todos os homens e manda-nos celebrar a Santa Ceia e realizar aquele gesto eloquente em sua memória. Na Primeira Carta aos Coríntios está a mais antiga narração da instituição da Eucaristia e o anúncio primeiro do Kerigma cristão, o Senhor na noite em que ia ser entregue tomou o pão e tomou o vinho, abençoou-os, repartiu-os e disse que o fizéssemos em sua memória. Aquele é o acontecimento definitivo que realiza de modo sacramental o mistério da sua entrega, da sua morte e da sua ressurreição. Nele, o Senhor realiza a grande ação de graças e o grande louvor ao Pai, não já somente por um ano, mas por todos, não por algumas pessoas, mas por todos.

Não se trata agora de uma festa nómada, nem de uma festa de um povo sedentário, mas da festa de todos os povos, unidos a Cristo, que se oferece ao Pai, que morre e ressuscita para que todos tenham a vida perdida em consequências das suas infidelidades e do seu pecado.

Para nós, hoje, Eucaristia é memorial de um acontecimento, mas é ainda mais, memorial de uma Pessoa, que nos amou e nos ama até ao fim, até à morte de cruz, como porta aberta para a ressurreição e a vida.



O Gesto do lava-pés

Levantou-se então da mesa,

tirou o manto, tomou uma toalha e amarrou-a na cintura.

Depois derramou a água numa bacia e

começou a lavar os pés

dos discípulos e a enxaguá-los com a toalha da cintura. (Jo 13, 4-5)



A um certo momento Jesus “levantou-se da mesa”. Esse gesto era insólito, ninguém se levantava da mesa para fazer nada, tudo era servido, alimentos, água para lavar as mãos, vinho. Mas esse gesto de Jesus de se levantar da mesa assume um significado especial.

O gesto do lava-pés resume a atitude de vida de Jesus, é um convite diretamente dirigido aos apóstolos e aos sacerdotes, mas é igualmente gesto inspirador para a vida de todos os cristãos. Enquanto discípulos, havemos de distinguir-nos acima de tudo pela caridade, expressa no serviço humilde ao nosso próximo.

“Eu dei-vos o exemplo para que assim como Eu fiz, vós façais também”. Grande tarefa, enormíssima missão.

Este dia impõe-nos um estilo de vida, que define a nossa identidade: a caridade e o serviço. Esse é mesmo o culto mais agradável a Deus. Celebrar a Eucaristia, realizar o louvor por meio da oração, dar graças com cânticos, sintonizar com Deus na comunhão silenciosa da vontade e, como expressão da sinceridade e da pureza de tudo isso, a caridade e o serviço aos irmãos.



Cântico “Sobe a Jerusalém”

O cântico “Sobe a Jerusalém” que cantamos nas eucaristias tem esta mesma mensagem principalmente na última parte:

Sobe a Jerusalem, virgem oferente sem igual

Vai apressenta ao Pai teu Menino: Luz que chegou no Natal.

E, junto à sua cruz, quando Deus morrer fica de pé.

Sim, Ele te salvou, nas o ofereceste por nós com toda fé.



Nós vamos renovar este Sacrifício de Jesus:

Morte e Ressureição; vida que brotou de sua oferta na Cruz.

Mãe, vem nos ensinar a fazer da vida uma oblação:

Culto agradável a Deus é fazer a oferta fo próprio coração.

Este cântico lembra-nos do kerigma (vida, morte e ressurreição de Jesus) e impela-nos a, com a ajuda de Maria (lembra-nos da importância da oração), a transformarmos a nossa vida numa dádiva, numa oferenda a Deus e consequente a uma relação de caridade para com todos. Daí que a mensagem transmitida por este cântico se assemelhe ao gesto do lava-pés.



Na nossa Paróquia

Na nossa Paróquia a Eucaristia Solene da Instituição da Eucaristia com Lava-pés e Procissão Eucarística pelas naves da Igreja realizar-se-á no dia 5 de Abril, às 19h, na Igreja Matriz de Vila do Conde.

Às 20h inicio da visita aos sacrários adornados nas igrejas Matriz, Santa Clara, Misericórdia e Lapa.







Frei Patrício – Espiritualidade do avental. Edições Loyola: São Paulo, 2007

Álvaro Ginel – Vocabulário Básico do Cristão. Edições Salesianas: Porto, 2001

P. Virgílio do Nascimento Antunes, reitor do Santuário de Fátima, in http://www.santuario-fatima.pt/portal/index.php?id=42009
















quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Missa do Galo

Mais uma vez cabe a nós a dinamização (canto + leituras) da Eucaristia vespertina de Natal. Os ensaios são já nos dias 18 (sexta), 21 (segunda) e 23 (quarta), sempre na Matriz.
Contamos com todos!