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quinta-feira, 10 de maio de 2012

Símbolos do Espírito 2: O Fogo



Este símbolo que, por ter efeitos tão radicais e também tão importantes para a vida do homem (ilumina e aquece, queima e destrói), foi incluído, ao longo da história da humanidade, na maior parte das culturas, no próprio culto, podendo ser associado tanto às forças divinas como às demoníacas.

Na simbologia do Antigo Testamento, o fogo era a imagem que melhor exprimia o ser e a ação de Deus: A sarça ardente (Ex 3,2), a coluna de fogo aspeto da magestade do Senhor (Ex 24, 17) e muitas outras (Cfr. Ez 24, 17; Jr 21, 12; Dt 32, 22; Is 66, 15, etc.).

No culto, o fogo era utilizado para queimar as ofertas no altar e o incenso no turíbulo (Lv 1, 7ss; 3,5; 6,9ss; I16, 12ss). Segundo o Povo de israel, Deus fazia-se presente no meio dele como um juiz que liberta e castiga. E o fogo transformou-se, precisamente, em expressão destes aspetos da sua atuação.

No Novo Testamento, encontramos o anúncio do batismo no Espírito Santo e com fogo (Mt 3, 11); Deus é apresentado como fogo devorador (e 12, 29); o prórpio Jesus diz que veio trazer o fogo à terra (Lc 12, 49); Ele virá em fogo ardente, e fará justiça aos que não conhecem a Deus e não obedecem ao Evangelho (2 Ts 1, 7-10). Uma expressão equivalente, utilizada pelos judeus, é gehenna, «lugar onde se queimava o lixo de Jerusalém» e que, na linguagem de Jesus, ser «lançados na gehenna» significava morte definitiva (Mc 9, 43-47). Em sentido positivo, é importante realçar que o fogo iluminador e inflamante do Espírito é, no Pentecostes, dador de Vida.

Com efeito, para os cristãos, o fogo que se acende na noite da Páscoa simboliza a luz-vida nova de Jesus Ressuscitado que ilumina o caminho do seu povo, tal como a coluna de fogo iluminava e transmitia calor ao Povo de Israel durante as noites da longa travessia pelo deserto. A imagem da vinda do Espírito Santo em forma de línguas de fogo, pode também ser relacionada com o início de uma nova vida, porque, ao queimar o pecado, a injustiça, a desigualdade e o ódio, e ao difundir compreensão e coragem para a Missão, gera um Povo totalmente renovado, nascido, precisamente, do Espírito.


Miguel Varela, Celebremos a Páscoa e o Pentecostes. Paulus: S. Paulo, 2001

domingo, 6 de maio de 2012

Pentecostes: tempo de comemorar 2

B. Origem e sentido da festa cristã no Novo Testamento

A festa cristã tem as suas raízes na festa judaica. Embora o povo de Israel já lhe tivesse atribuído um significado religioso, os primeiros cristãos conferir-lhe-ão um outro, totalmente renovado. Para o descobrir, é necessário verificar que, nos Evangelhos, esta festa nunca é mencionada; só aparece no livro dos Avtos dos Apóstolos 2,1; 20,16 e na Primeira Carta aos Coríntios 16,8. Em ambos os textos, a palavra Pentecostes refere-se à festa judaica.

A festa do pentecostes, da colheita, ou dia de ação de graças, que se cleebrava no tempo de Jesus, tinha lugar sete semnas depois da Páscoa; era a festa dos primeiros frutos (Nm 28, 26), da ceifa (Ex 23, 16) ou das Semanas (Ex 34, 22).

A festa cristã do Pentecostes é notoriamente diferente da festa judaica; só coincidem no nome. A festa cristã celebra a vinda do Espírito Santo sobre ols Apóstolos e o nascimento da Igreja que abre as suas portas aos povos não judeus ou pagãos. A palavra «Pentecostes» para designar esta festa deve ter aparecido bastante mais tarde, nos primeiros séculos do Cristianismo.

Para os cristãos , a festa da Páscoa prolonga-se durante cinquenta dias. A este tempo chamamos «Tempo Pascal» ou «Cinquentena Pascal», e termina com a Festa do Pentecostes. A importãnciua desta festa litúrgica é comparável à da Páscoa.

Durante a Idade Média (séc. VII), alguns teólogos começaram a relacionar a vinda do Espírito Santo com os sete dos que figuram em Isaías 11, 2-4a. Desde então, a festa do Pentecostes é associada à efusão dos sete dons do Espírito Sanro.


Em síntese:
Com o Pentecostes cristão fica sem efeito o antigo legalismo hebraico e inicia-se uma nova Lei, fundada na liberdade que advém da força do Ressuscitado, a mesma que impulsiona o afã missionário da Igreja nascente. Por este motivo, a precisão cronológica de saber se foram exatamente 50 dias os que decorreram entre a ressurreição de Jesus e a vinda do Espírito Santo tem apenas valor simbólico.


Miguel Varela, Celebremos a Páscoa e o Pentecostes. Paulus: S. Paulo, 2001

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Pentecostes: tempo de comemorar 1

Em muitos povos e culturas, as festas mais importantes tinham lugar segundo o ritmo marcado pelo trabalho da terra. Neste sentido, os povos do Oriente não foram excepção: as suas celebrações eram fortemente marcadas pelos ciclos de fertilidade da natureza.

Para honrar a Deus Criador e Soberano, o Povo de Israel assume e transforma as festas do ano natural. O processo por meio do qual se realiza esta transformação, reflete a evoluação de Israel, que deixa de ser um povo unicamente ligado à natureza, para se converter num povo vinculado a história. De facto, às festas de origem agrícola foram-se juntando pedaços da vida de Israel, como razões festivas espirituais que ajudavam a reconhecer Deus presente no decurso do tempo.

Enquanto que, nas festas agrícolas, aquilo que celebravam era natural e espontâneo (esperança face à nova sementeira, alegria pela colheita), nas festas religiosas, pelo contrário, o povo de Israel celebrava intencionalmente a consagração do tempo, isto é, os eventos do passado que tinham marcado etapas-chave na História da Salvação. Em ambos os casos, tratava-se de celebrar o mesmo Deus que intervém na história e que continua a atuar na natureza. Os testemunhos que descervem como um povo muito festivo, considerado pelos seus vizinhos como um povo de bons cantores e dançarinas, confirmam este espírito celebrativo. Sinal evidente disto mesmo, é a grande quantidade e variedade de salmos e hinos que compuseram.

Parar conhecer a idiossincrasia de um povo e compreender os seus costumes, é necessário dialogar com a sua história, investigar o seu passado, partilhar o presente, descobrir os projetos que tem para o futuro. Neste sentido, entrar em contato com as suas festas e com o modo como são celebradas, aproxima-nos do seu mundo interior; do espírito que o anima. Por isso, vamos esforçar-nos por nos aproximar lentamente do povo de Israel para correr o véu do tempo e participar alegremente nas suas festividades.

Entre numerosas festas que, impreterivelmente, celebrava o povo eleito, destacam-se as três festas de peregrinação: A Páscoa (ou Festa dos Pães Ázimos); o Pentecostes (ou Festa das Semanas) e a Festa dos Tabernáculos (ou Choças, Cabanas ou Tendas). Os nomes alternativos destas festas, que colocámos entre parêntesis, são todos de origem agrícola e, portanto, anteriores ao nome e sentido religioso que preferimos realçar.

O Livro do Deuteronómio, ao fazer-lhes referência, menciona-as do seguinte modo:

«Três  vezes por ano, todos os varões se apresentarão diante do Senhor; teu Deus, no santuário que Ele tiver escolhido: na festa dos Ázimos, na festa das Semanas e na festa das Tendas. Ninguém aparecerá com as mãos vazias diante do Senhor, teu Deus, lhe tiver concedido» (Dt 16, 16-17).

A festa que mais nos interessa, neste momento, é a segunda, ou seja, a Festa do Pentecostes (ou das Semanas). A palavra Pentecostes é de origem grega e significa «cinquenta». No calendário judaico, indicava a festa que se celebrava cinquenta dias depois da festa da Páscoa.


A. Origem e sentido no Antigo Testamento

A festa das Semanas ou Pentecostes era a segunda grande festa anual que encerrava a colheita dos cereais. Para a celebrar, instaurava-se o descanso laboral, realizavam-se cerimónias em assembleias, apresentavam-se ofertas e sacrifícios voluntários.
A celebração desta festa é referida em vários escritos do Antigo Testamento. vejamos os mais significativos:

«Guardarás também a festa da ceifa, das primícias do teu trabalho, daquilo que semeaste no campo, e a festa da colheita, à saída do ano, quando recolheres  os teus frutos do campo» (Ex 23, 16)

«Contarás sete semanas a partir do momento em que começares a meter a foice nas cearas. Celebrarás, então, a festa das Semanas em honra do Senhor, com as tuas ofertas voluntárias, segundo as bençãos que o Senhor, teu Deus, te tiver concedido» (Dt 16, 9-10)

Com ó correr dos anos, às ofertas voluntárias, juntaram-se os pães com fermento, amassados com farinha de trigo, e as ofertas dos animais:
´
«Depois contarás sete semanas completas, a aparr do dia seguinte ao do sábado, isto é, do dia em que tiverdes feito o rito da apresentação da gavela das espigas. Contareis até ao dia seguinte da sétima semana, isto é, cinquenta dias, e oferecereis ao Senhor uma nova oblação.
Trareis, de onde quer que habiteis, dois pães, feitos dos décimos de efá de flor de farinha, cozidos com fermento, para o rito da apresentação; serão as p´rimícias para o Senhor. Juntamente com os pães, ofereceis sete cordeiros de um ano, sem defeito, um novilho e dois carneiros; serão um holocausto ao Senhor, com as suas oblações e as suas libações, como oferta queimada de odor agradável ao Senhor. Oferecereis também um bode em reparação pelo pecado, e dois cordeiros de um ano como sacrifício de comunhão» (Lv 23, 15-18)

Estes textos não são os únicos, mas são suficientemente expressivos para nos facultar uma compreensão global do que esta festa significava para a vida do Povo de Israel e para a sua relação com Deus.

Originariamente, era apenas uma festa agrícola que celebrava a alegria pela colheita (cf. Ex 23, 16), mas desde o exílio na Banilónia (séc.  V a. C.) passou a ser uma celebração da Aliança entre Deus e o seu Povo, quando Moisés recebeu as tábuas da Lei no monte Sinai. Depois, no século anterior ao nascimento de Jesus, esta festa foi adquirindo uma enfase cada vez maior como festa de ação de graças pela Lei. a importancia atribuída a esta festa fazia de Jerusalém o centro de inúmeras peregrinações provindas das diversas colónias judaicas dispersas.

Esta identificação com a Lei possibilitava que Israel se entendesse como um Povo. A Aliança, de faco, era a chave a partir da qual podia se entender a seua relação com Deus e organizar; com base numa ética bem definida, a vida dos seus membros.

Os significados da festa do Pentecostes, como veremos, ir-se-ão modificando com o passar dos anos, segundo as situações histórias atravessadas pelo povo; isto é, serão se-significados até chegarem ao seu sentido cristão, completamente diferente do original.



Miguel Varela, Celebremos a Páscoa e o Pentecostes. Paulus: S. Paulo, 2001



No próximo, Pentecostes: tempo de comemorar 2, será abordado a "Origem e sentido da festa cristã no Novo Testamento".

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Palavra de Deus e castidade: Lectio Divina 5

Jo 13, 34-35

Dou-vos um novo mandamento: que vos ameis uns aos outros; que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei. Por isto é que todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros.»


 
Lectio

No contexto, da Última Ceia, a poucas horas da sua morte, Jesus está consciente de que tem pouco tempo. Tem de dizer o essencial. E o essencial é o amor. Um amor à maneira de Jesus. Não um amor mais ou menos, ou quando apetece. Um amor como o d’Ele: total. E isso definirá a identidade dos discípulos. É indiferente que os cristãos sejam conhecidos pela sua liturgia ou pelos seus dogmas. O essencial é que sejam capazes de se amarem uns aos outros. Como Ele o fez.


Meditatio

Esta palavra “amor” é tramada. Quer dizer tantas coisas. Serve para falar de emoções sérias e banais, para falar de relações longas e de encontros casuais. Para nós, amor é só à maneira de Jesus. Saindo de si, desejando ardentemente o bem do amado, dando por ele a vida. Amor que não dá borlas a egoísmos nem a interesses mesquinhos. Amor total como Jesus. E isso nos define como seus discípulos.

Está difícil para os discípulos de Jesus viverem a sexualidade ao ritmo desse amor de Jesus. Mas a Palavra de Jesus é clara. Se na nossa sexualidade optamos por outros estilos que não o de Jesus, já não somos dos seus discípulos.


 
Oratio

Senhor, Tu nos ensinas como deve ser vivida a vida: amando à tua maneira.

Na partilha contigo, Tu me mostraste que estás ao meu lado e amparas e fortaleces o meu compromisso de viver amando como Tu, em todos os aspectos da minha vida.

Que o meu corpo, que a minha sexualidade, saiba acolher o teu mandamento novo. E assim, cada um dos meus gestos, dos meus pensamentos, será um testemunho da tua presença de ressuscitado.


Actio

A forma como vivo a minha sexualidade anuncia que sou discípulo de Jesus? Os meus gestos, as minhas atitudes concretizam o mandamento do amor?
 
 
GPS3, Módulo Eles & Elas - Edições Salesianas

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Palavra de Deus e castidade: Lectio Divina 4

1Jo 3, 16

Foi com isto que ficámos a conhecer o amor: Ele, Jesus, deu a sua vida por nós; assim também nós devemos dar a vida pelos nossos irmãos.


Lectio

A fé cristã é muito realista. Todos os grandes valores e ideias têm uma base sólida de experiência. O maior deles é o amor. E o amor é um valor para nós porque Jesus o viveu efectivamente. O Novo Testamento não é senão uma recordação da vida real de Jesus, dos gestos que Ele fez. Do seu amor feito gesto concreto. Da sua vida oferecida totalmente.

E é a partir da memória de Jesus e do seu estilo de vida que nós aprendemos o que é o amor: é dar a vida como Ele.


Meditatio

Podemos escolher. Hoje, os grupos, a sociedade, têm menos poder que antes para nos impor regras de comportamento. Está nas nossas mãos escolher. O que é que é importante para a nossa vida? Que valores organizam a nossa sexualidade? Podemos escolher.

Podemos escolher as vozes da maioria ou dos poderosos: prazer, domínio, aparência, auto-realização… Há muitas opções. Mas podemos escolher o amor. Amor a sério. Não daquele que se reduz a emoções apressadas para combater a solidão. Amor daquele que leva a dar a vida ao outro. A confiar-lhe os segredos e as fragilidades. A fazer com que de dois passemos a ser uma só carne. Amor que é maior do que sexo. Amor que dá sabor ao sexo. Amor como o de Jesus.


Oratio

Agora já conheço o amor. Quando olho para Ti, Jesus, já sei como amar. Os teus gestos, a maneira como falavas, a maneira como olhavas e respeitavas homens e mulheres, é para mim uma fonte de inspiração.

Agora já sei como escolher os meus caminhos. Quando me sentir dividido, inseguro nas escolhas, basta-me olhar para Ti e para o teu estilo: dar a vida pelos outros. Sempre. Em todos os aspectos da minha vida.


Actio

Hoje vou fazer um gráfico com a minha vida. Para saber onde gasto mais energias. Com o meu próprio bem-estar ou com os outros. Para saber o que quero mesmo: estar virado para mim mesmo ou viver indo ao encontro dos outros?
 
 
GPS 3, Módulo Eles & Elas - Edições Salesianas

terça-feira, 1 de maio de 2012

Palavra de Deus e castidade: Lectio Divina 3



Mt 5, 27-28

«Ouvistes o que foi dito: Não cometerás adultério. Eu, porém, digo-vos que todo aquele que olhar para uma mulher, desejando-a, já cometeu adultério com ela no seu coração.»


Lectio

Jesus é radical. Ele recorda a clareza dos mandamentos. Neste caso, o sexto mandamento dizia “não cometerás adultério”. Respeitarás a sacralidade do matrimónio. Não podes deixar que uma sexualidade egoísta se sobreponha a uma aliança que Deus abençoou.

Mas Jesus vai mais além. Jesus radicaliza e interioriza. Os gestos exteriores, também os da sexualidade, começam no coração. Transformar a imagem duma pessoa em objecto de desejo já é degradar a sexualidade.


Meditatio

Que estranhas que nos soam estas palavras. Se acompanharmos as novelas (as de ficção e as da vida real) vemos como a fidelidade matrimonial caiu totalmente em desuso. Para tanta gente de hoje, não há outra lei que não seja a satisfação dos desejos pessoais, por muito egoístas que sejam. Doa a quem doer. Rasgando os compromissos que for preciso.

A tentação de viver a sexualidade de forma egoísta, ao sabor do “apetece-me” não é de hoje. E em todos os tempos, Jesus continua a radicalizar: “Não cometerás adultério.” Nem com o corpo todo nem com pensamentos. O corpo, o teu e o do outro, merece mais. Aos olhos de Deus vales muito mais do que os teus instintos.


Oratio

É exigente, Jesus, a leitura que Tu fazes da Palavra de Deus. Mas fico feliz. Porque Tu acreditas que somos capazes de viver uma sexualidade verdadeiramente humana. Capaz de respeitar os compromissos, os valores, os projectos. Obrigado pelas tuas indicações e pela tua presença na nossa vida que nos ajudam a viver uma sexualidade integrada, autêntica, honesta.


Actio

Há pessoas (com quem nos cruzamos ou de quem conhecemos a imagem) que reduzimos a objectos sexuais. Hoje é o dia de dizer não. Hoje recuso ver essas pessoas como objecto. Hoje vou tentar perceber que, para lá das aparências, cada pessoa é uma pessoa e não um objecto. Com sentimentos, com sonhos, com dignidade.
 
GPS 3: Módulo Eles & Elas, Edições Salesianas

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Lectio Divina: esquema

A lectio divina é uma forma de rezar com a Bíblia. Esta deve ser lida com fé, humildade e amor.
Neste tipo de oração o processo é feito de cinco passos:
  1. lectio
  2. meditatio
  3. oratio
  4. contemplatio
  5. actio
O número de passos não é tão importante como o desafio de encontrar Deus e a atitude com que o fazemos.

Lectio
Uma leitura ou escuta simples da passagem. Uma escuta com os “ouvidos do coração”.
Agora é tempo de “esmiuçar” o texto. Para te ajudar nessa análise do texto segue os passos que se seguem (podes e deves riscar o texto à vontade):
1) Identifica os personagens:
  • Individuais ou colectivos 
  • Que sabes sobre eles? 
  • Que profissão têm? 
  • Qual o seu estilo de vida?
 2) Identifica os lugares
3) Quais os factos mais importantes?
 
4) Identifica as palavras difíceis
5) Associar verbos e personagens Ou adjectivos e personagens
6) Quais os protagonistas
  • Que procura cada um? 
  • O que o ajuda? 
  • O que dificulta? 
  • O resultado final corresponde ao que se desejava no início?
 7) Se estiveres em grupo: partilha com o grupo a reflexão que fizeste. É o momento de esclarecer alguma coisa que tenha ficado menos perceptível.

Meditatio
“Este é um momento de reflexão interior, no qual a nossa alma se volta para Deus e tenta perceber o que é que a Palavra nos diz, nos dias de hoje” (Papa Bento XVI).
Neste passo (meditatio) trazemos a leitura até à nossa vida pessoal. Para o fazermos é importante perceber o contexto em que foi escrita. Antes de lermos novamente a passagem deixamos alguns momentos para incorporarmos o contexto desta passagem.
Lê uma segunda vez a passagem.
Fecha os olhos e imagina-te dentro da história 
  • o que vês?
  • o que ouves?
  • com quem é que mais te relacionaste?
 Quando quiseres abre os olhos e reflecte até que ponto esta passagem retrata algo da tua vida neste momento?
Aproveita esta ocasião para examinar a tua situação actual e organizares o teu futuro à luz da Palavra.

Oratio
Só a experiência do silêncio e da oração oferece o ambiente adequado para maturar e desenvolver-se um conhecimento mais verdadeiro, aderente e coerente daquele mistério cuja expressão culminante aparece na solene proclamação do evangelista João: «E o Verbo fez-Se homem e veio habitar connosco. E nós contemplámos a sua glória, a glória que possui como Filho Unigénito do Pai, cheio de graça e de verdade» (Jo 1,14). (Papa João Paulo II, Novo Millenium Ineunte, 20)
Oratio significa rezar. Quando entramos em diálogo com Deus. Abrimo-nos intimamente a Deus e ouvimos a Sua voz no nosso coração. Este tempo de oração é pessoal. Cada um é convidado a colocar-se diante de Deus.
Durante alguns momentos dialoga intimamente com Deus.
O que estás a sentir? Alegria, dor, medo, gratidão?
O que é que a Palavra inspirou em ti?
Deixa que Deus te responda e faz com que a Sua voz seja ouvida no teu coração.

Contemplatio
“… à plena contemplação do rosto do Senhor, não chegamos pelas nossas simples forças, mas deixando a graça conduzir-nos pela sua mão.” (Papa João Paulo II, Novo Millenium Ineunte, 20)
Contemplatio surge espontaneamente da meditatio. Vai até onde a graça do Espírito Santo te levar.
Não há regras na contemplatio. Cada um deve experimentar que encontrar Deus é graça, é dádiva gratuita. Não podemos fazer com que este encontro aconteça. É suficiente estarmos abertos e disponíveis para recebermos Deus, na medida em que Ele quer vir ao nosso encontro.
Simplesmente fica na presença de Deus, desfrutando do Seu amor por ti.

Actio
“Construir a vossa vida em Cristo, aceitar a Sua palavra com alegria e pôr os seus ensinamentos em prática. Isto, juventude do terceiro milénio, deve ser a vossa meta.” (Papa Bento XVI)
Este é o último passo e talvez, dos mais importantes. O apóstolo Tiago recorda-nos: “Mas tendes de a pôr em prática e não apenas ouvi-la…” (Tg 1,22).
Lê outra vez a passagem.
Ouve e reflecte naquilo que Deus te está a pedir para fazeres ou seres.


Se estiveres em grupo, no final, partilha a tua reflexão com o grupo.
Escuta atentamente o trabalho do Espírito Santo em cada uma das pessoas, como Deus trabalhou no coração de cada um.
Para finalizar o nosso momento de oração, de mãos dadas, rezamos por cada um, com as palavras que Jesus nos ensinou. Pai nosso…

GPS 2, Edições Salesianas

Palavra de Deus e castidade: Lectio Divina 2

Mt 5, 8

Felizes os puros de coração, porque verão a Deus.


Lectio

Os puros de coração. O coração é o centro da pessoa. Onde se decide o bem e o mal. Onde moram a vontade e os projectos. Os puros de coração são aqueles que no seu íntimo, na verdade profunda de si mesmos, olham a realidade com o olhar de Deus. O seu coração está cheio de Deus e dos seus valores. Neles já não há espaço para a maldade, para o egoísmo. E por isso vêm a Deus. Enquanto uns olham para o outro ou para si como um objecto de desejo e prazer em função do egoísmo pessoal, os de coração puro vêm Deus em tudo. E olham para o outro como Deus olha para Ele. Com ternura, paciência, respeito, reverência.


Meditatio

Jesus é mesmo o homem do Evangelho, das boas notícias. Com Jesus é possível estar na vida de coração puro. E este dom de ver os outros, a realidade, como Deus nos vê, é fantástico. O que quer dizer que é possível vivermos a sexualidade sem sermos mais escravos dos condicionamentos dos media e dos nossos instintos. Podemos olhar o outro como pessoa, não já como objecto. E vivendo a nossa sexualidade com um olhar puro, respeitador da integridade do outro, aproximamo-nos de Deus.


Oratio

Senhor Jesus, ajuda-me a viver esta bem-aventurança da pureza de coração. Ajuda-me a olhar o mundo, as pessoas, os corpos como Tu os olhavas. Purifica o que há ainda em mim de egoísmo.


Actio

Como olhas tu para o corpo dos outros? Hoje podes tentar olhar o corpo dos outros já não como objecto mas como pessoa integral que podes amar com Jesus ao teu lado. Com Jesus.


GPS 3, Módulo Eles & Elas - Edições Salesianas

domingo, 29 de abril de 2012

Palavra de Deus e castidade: Lectio Divina 1

1Cor 6, 15-20


Não sabeis que os vossos corpos são membros de Cristo? (...) Mas quem se une ao Senhor, forma com Ele um só espírito. Fugi da impureza. Qualquer outro pecado que o homem cometa é exterior ao seu corpo, mas quem se entrega à impureza, peca contra o próprio corpo.

Não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, porque o recebestes de Deus, e que vós já não vos pertenceis? Fostes comprados por um alto preço! Glorificai, pois, a Deus no vosso corpo.




Lectio

Para S. Paulo e para toda a Bíblia, o corpo é quase o mesmo que a pessoa toda. Não é apenas uma parte da pessoa, uma “peça” biológica. Para a Bíblia, a pessoa é fortemente unificada. Não faz sentido falar do corpo à parte dos sentimentos ou dos valores.

O corpo é o templo de Deus. Se o corpo é a pessoa toda, a relação com Deus “mora” no corpo. O uso que damos ao corpo relaciona-se fortemente com a qualidade da relação com Deus.


Meditatio

Vivemos vidas muito compartimentadas. Muito fragmentadas. Entre instantes diversos, tarefas diferentes.

Como se cada um de nós não fosse uma unidade mas um sortido de peças. A Palavra de Deus pede-me que recupere a unidade de mim mesmo.

Temas como o desejo, o prazer, o sexo são vistas como “coisas” do corpo que não têm nada a ver com as “coisas” espirituais: os valores, a fé. A Palavra de Deus propõe-me que volte a viver a minha sexualidade de forma unificada. Em sintonia com todas as dimensões da minha vida. O meu corpo, os meus sentimentos são “templo do Espírito Santo”. Não são “opostos” a Deus nem desprezíveis aos olhos de Deus.


Oratio

Senhor, ensina-me o que é isso de “glorificar” a Deus com o corpo.

Às vezes mal, mas já aprendi a rezar com as palavras e com a tua Palavra, a Bíblia.

Como glorificar-Te com o corpo? Quais os gestos, as posturas do meu corpo que Te podem glorificar? Que podem dizer a todos o que Tu fizeste por mim? Que podem anunciar a tua bondade e o teu plano de amor para toda a humanidade?

Tantas vezes o meu corpo só sabe gritar que quer prazer egoísta!

Vem, Senhor, com o teu Espírito, com os seus sete dons até à minha vida. E muda a maneira como vejo e actuo com o meu corpo.


Actio

Vou empenhar-me em ver o meu corpo não como mercadoria de moda mas como corpo que Deus ama. Como corpo capaz e digno de anunciar a beleza do Senhor e o seu amor por todos nós.
 
 
GPS 3, Módulo Eles & Elas - Edições Salesianas