domingo, 1 de abril de 2012

Quinta-Feita Santa: Missa da Ceia do Senhor



Com a Quinta-feira Santa, termina a Quaresma e inicia-se o Tríduo Pascal. Na Eucaristia «in coena Domini» ou da Ceia do Senhor, canta-se o hino do Glória, seguido do toue dos sinos que não se ouvirão até à Vigília Pascal. O sacerdote profere a homilia conhecida por «Sermão do Mandato» e lava os pés “voluntários”. Despois da comunhão a reserva Eucarística é levada processionalmente para a capela lateral. No fim da Eucaristia retira-se a toalha do altar e cobrem-se as cruzes da Igreja. A capela do Santíssimo estará adornada com símbolos e a noite consagrada a especial visita aos sacrários.

A Quinta-feira Santa é para todos nós, cristãos, um dia de imensa alegria, porque nos leva às fontes da nossa condição de discípulos de Jesus Cristo, reunidos em Igreja, como Povo Sacerdotal.



Na origem da Eucaristia, como na origem de todas as grandes realidades e de todos os mistérios da fé cristã está um acontecimento, que pode ser revivido como um memorial, que pode ser atualizado e que pode continuar a frutificar como da primeira vez em que foi realizado. O Senhor prometeu à sua Igreja a presença do seu Santo Espírito, que faz de um acontecimento que teve origem no passado um acontecimento novo no nosso tempo, que foi há dois mil anos gerador de graça e salvação e continua a sê-lo ainda hoje.



A Páscoa judaica

Neste dia de Quinta-feira Santa, a liturgia dá-nos a possibilidade de recordarmos a origem da Eucaristia, que, sendo um acontecimento totalmente novo no seu alcance e no seu sentido, se insere dentro de uma antiga tradição, proveniente do Povo Hebreu, o povo a quem Deus começou a revelar-se. Anualmente, aquele povo reunia todos os seus motivos de ação de graças e de louvor e voltava-se para o Senhor num gesto de culto agradável e puro. A celebração da Páscoa dos judeus passou por fases diferentes, consoante as circunstâncias da sua vida e a forma de relação que tinha com o Deus único e Senhor de todas as coisas.

Enquanto povo nómada e peregrino num deserto duro, ofereciam ao Senhor um culto muito simples, por altura do início da Primavera: imolavam um cordeiro ou um cabrito, que assavam no fogo e comiam com as ervas amargas, de pé e com os rins cingidos. Tratava-se de uma forma de agradecer os bens que lhes permitiam a vida: os rebanhos e os poucos haveres de que dispunham, mas que reconheciam provir das mãos bondosas de Deus.

Enquanto povo sedentário, após a passagem do Mar Vermelho, depois da experiência do Sinai, interlocutores de Deus num processo de revelação e aliança, beneficiados com o dom de uma terra boa e fértil, começam a celebrar uma ceia pascal. Um ritual diferente, mas o mesmo louvor e ação de graças, agora com motivações mais claras e acrescidas: o Senhor tinha-se-lhes dado a conhecer como um Deus libertador e criador, como um Deus de aliança, que está presente e acompanha todos os passos dos seus filhos, num intuito de salvação.

O livro do Êxodo apresentava-nos hoje um resumo dessa longa experiência de um povo que quer ser chamado povo de Deus, porque tem consciência nascer dum acontecimento cuja iniciativa não é sua mas do próprio Deus e de que é um povo salvo, não pelas virtudes ou forças, mas pela misericórdia de Deus, que tira da desgraça em que caiu por causa da sua infidelidade. Esse grande acontecimento tem de ser celebrado de geração como um memorial: festejá-lo-eis por todas as gerações como lei perpétua… haveis de celebrá-lo com uma festa em honra do Senhor.



A última “Páscoa de Jesus”

É a última “Páscoa de Jesus”. Está em Jerusalém, percebeu que os fariseus aumentaram a rejeição da sua missão, estão a tramar a sua morte. O clima que reina em seu redor, mesmo entre os seus discípulos, é de tensão e tristeza. São obstáculos por todos os lados, sabem que não será fácil “celebrar esta páscoa” com a devida solenidade e alegria do coração, contemplando a memória da libertação do povo e estando no Templo. Mas Jesus não foge da sua missão e da sua presença na Páscoa. Ele sabe que não pode faltar a esse compromisso que revela a sua presença messiânica e fortalecedora no meio do povo. Enviou à frente os discípulos para preparar um lugar digno para celebrar “esta Páscoa” (Lc 22, 7-13). É Páscoa, é festa.

Ainda a Páscoa não foi celebrada, o Templo está um formigueiro de peregrinos, de levitas, sacerdotes que preparam tudo o que é necessário para os sacrifícios prescritos pela Lei. Os cordeiros de um ano, sem manca, sem defeito, estão prontos e preparados para serem sacrificados. O povo vai e vem, tentando descobrir se Jesus, este ano, também virá passar ali a Páscoa. Estão curiosos para ver como se resolverá o encontro do mestre Jeshua com os sumos sacerdotes.



Instituição da Eucarístia

Com Jesus Cristo, os gestos salvadores de Deus atingem o seu cume – Ele entrega-se à morte por todos os homens e manda-nos celebrar a Santa Ceia e realizar aquele gesto eloquente em sua memória. Na Primeira Carta aos Coríntios está a mais antiga narração da instituição da Eucaristia e o anúncio primeiro do Kerigma cristão, o Senhor na noite em que ia ser entregue tomou o pão e tomou o vinho, abençoou-os, repartiu-os e disse que o fizéssemos em sua memória. Aquele é o acontecimento definitivo que realiza de modo sacramental o mistério da sua entrega, da sua morte e da sua ressurreição. Nele, o Senhor realiza a grande ação de graças e o grande louvor ao Pai, não já somente por um ano, mas por todos, não por algumas pessoas, mas por todos.

Não se trata agora de uma festa nómada, nem de uma festa de um povo sedentário, mas da festa de todos os povos, unidos a Cristo, que se oferece ao Pai, que morre e ressuscita para que todos tenham a vida perdida em consequências das suas infidelidades e do seu pecado.

Para nós, hoje, Eucaristia é memorial de um acontecimento, mas é ainda mais, memorial de uma Pessoa, que nos amou e nos ama até ao fim, até à morte de cruz, como porta aberta para a ressurreição e a vida.



O Gesto do lava-pés

Levantou-se então da mesa,

tirou o manto, tomou uma toalha e amarrou-a na cintura.

Depois derramou a água numa bacia e

começou a lavar os pés

dos discípulos e a enxaguá-los com a toalha da cintura. (Jo 13, 4-5)



A um certo momento Jesus “levantou-se da mesa”. Esse gesto era insólito, ninguém se levantava da mesa para fazer nada, tudo era servido, alimentos, água para lavar as mãos, vinho. Mas esse gesto de Jesus de se levantar da mesa assume um significado especial.

O gesto do lava-pés resume a atitude de vida de Jesus, é um convite diretamente dirigido aos apóstolos e aos sacerdotes, mas é igualmente gesto inspirador para a vida de todos os cristãos. Enquanto discípulos, havemos de distinguir-nos acima de tudo pela caridade, expressa no serviço humilde ao nosso próximo.

“Eu dei-vos o exemplo para que assim como Eu fiz, vós façais também”. Grande tarefa, enormíssima missão.

Este dia impõe-nos um estilo de vida, que define a nossa identidade: a caridade e o serviço. Esse é mesmo o culto mais agradável a Deus. Celebrar a Eucaristia, realizar o louvor por meio da oração, dar graças com cânticos, sintonizar com Deus na comunhão silenciosa da vontade e, como expressão da sinceridade e da pureza de tudo isso, a caridade e o serviço aos irmãos.



Cântico “Sobe a Jerusalém”

O cântico “Sobe a Jerusalém” que cantamos nas eucaristias tem esta mesma mensagem principalmente na última parte:

Sobe a Jerusalem, virgem oferente sem igual

Vai apressenta ao Pai teu Menino: Luz que chegou no Natal.

E, junto à sua cruz, quando Deus morrer fica de pé.

Sim, Ele te salvou, nas o ofereceste por nós com toda fé.



Nós vamos renovar este Sacrifício de Jesus:

Morte e Ressureição; vida que brotou de sua oferta na Cruz.

Mãe, vem nos ensinar a fazer da vida uma oblação:

Culto agradável a Deus é fazer a oferta fo próprio coração.

Este cântico lembra-nos do kerigma (vida, morte e ressurreição de Jesus) e impela-nos a, com a ajuda de Maria (lembra-nos da importância da oração), a transformarmos a nossa vida numa dádiva, numa oferenda a Deus e consequente a uma relação de caridade para com todos. Daí que a mensagem transmitida por este cântico se assemelhe ao gesto do lava-pés.



Na nossa Paróquia

Na nossa Paróquia a Eucaristia Solene da Instituição da Eucaristia com Lava-pés e Procissão Eucarística pelas naves da Igreja realizar-se-á no dia 5 de Abril, às 19h, na Igreja Matriz de Vila do Conde.

Às 20h inicio da visita aos sacrários adornados nas igrejas Matriz, Santa Clara, Misericórdia e Lapa.







Frei Patrício – Espiritualidade do avental. Edições Loyola: São Paulo, 2007

Álvaro Ginel – Vocabulário Básico do Cristão. Edições Salesianas: Porto, 2001

P. Virgílio do Nascimento Antunes, reitor do Santuário de Fátima, in http://www.santuario-fatima.pt/portal/index.php?id=42009
















quinta-feira, 29 de março de 2012

Domingo de Ramos na Paixão do Senhor

O sexto domingo da Quaresma, quando começa a Semana Santa, é chamado Domingo de Ramos na paixão do Senhor, ou simplesmente Domingo da Paixão do Senhor ou de Ramos.

O Domingo de Ramos é a festa litúrgica que celebra a entrada de Jesus Cristo na cidade de Jerusalém. Nesse dia, são comuns procissões em que os fiéis levam consigo ramos de oliveira ou palmeira, o que originou o nome da celebração.

Segundo os Evangelhos, Jesus foi para Jerusalém para celebrar a Páscoa Judaica com os discípulos. Entrou na cidade como um Rei, mas sentado num jumentinho - o símbolo da humildade - e foi aclamado pela população como o Messias, o Rei de Israel. A multidão o aclamava: "Hosana ao Filho de David! Bendito seja aquele que vem em nome do Senhor! Hossana nas alturas!" (Mt 21, 9b) Isto aconteceu alguns dias antes da sua Paixão, Morte e Ressurreição.

A Páscoa Cristã celebra então a Ressurreição de Jesus Cristo.

 
História

A procissão do Domingo de Ramos surgiu depois que um grupo de cristãos da Etéria fez uma peregrinação a Jerusalém e, ao retornar, procedeu na sua região da mesma forma que havia feito nos lugares santos, lembrando os momentos da Semana Santa. O costume passou a ser utilizado gradualmente por outras igrejas e, ao final da Idade Média, foi incorporado aos ritos da Semana Santa.

 
O Rito

A celebração do Domingo de Ramos começa em uma capela ou igreja afastada de onde será rezada a Eucaristia. Os ramos que os fiéis levam consigo são abençoados pelo sacerdote. Então, este proclama o Evangelho da entrada de Jesus em Jerusalém, e inicia-se a procissão com algumas orações próprias da festa, rumo à igreja principal ou matriz.

Durante a procissão, os fiéis entoam a antífona: "Hosana ao Filho de Davi! Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Rei de Israel, Hosana nas alturas!"

Ao chegar onde será celebrada a Eucaristia solene, a festa muda de caráter, passando a celebrar a Paixão de Cristo. É narrado o Evangelho da Paixão, e segue a Liturgia Eucarística como de costume.


O sentido da festa do Domingo de Ramos tratar tanto da entrada triunfal de Cristo em Jerusalém, e depois recordar sua Paixão, é que essas duas datas estão intrinsecamente unidas. A Igreja recorda que o mesmo Cristo que foi aclamado como Rei pela multidão no Domingo, é crucificado sob o pedido da mesma multidão na Sexta. Assim, o Domingo de Ramos é um resumo dos acontecimentos da Semana Santa, e também sua solene abertura.



Dia da Paixão: é a Sexta-Feira Santa. É específico desse dia a procissão da Paixão: recorda-se o fato histórico dos sofrimentos de Cristo desde a noite em que foi entregue até à morte na cruz. Também os relatos evangélicos que narram o acontecimento da morte de Cristo se denominam a Paixão.



Na nossa paróquia, o ponto de encontro para o início da Procissão de Ramos é no próximo domingo, na Igreja da Misericórdia às 11h45.

Na Sexta-feira Santa a Adoração à Cruz começa às 15h na Igreja Matriz. No final da celebração segue-se uma procissão onde se leva esquife do Senhor Morto até à capela de São Roque. Nesse mesmo dia às 21h30 realizar-se-á a Via Sacra Paroquial.

domingo, 25 de março de 2012

Sacramento do Perdão ou Reconciliação


Reconciliação ou Confissão

O perdão e a reconciliação são sinais de amor! Quando ferimos ou somos feridos por alguém que amamos verdadeiramente, não nos sentimos impacientes por nos reconciliarmos com ele? Não esperamos ansiosamente por ouvir dizer que nos perdoa ou, no caso de sermos nós os autores da ofensa, de lhe pedir perdão e de dizer que o amor e a confiança continuam? Até podemos estar convencidos, mesmo sem nada dizer ou sem nada fazer, que o amor entre vós permanece, mas como são reconfortantes as palavras ou os gestos de cumplicidade ou de ternura que vão confirmar o perdão!

Deus é Amor e como é de amor que se trata quando nos referimos ao perdão dos pecados, acontece o mesmo quando ferimos o Amor de Deus. É verdade que Deus nos perdoa sempre que desejamos o seu perdão; é verdade que Ele não tem necessidade de passar por um homem para nos perdoar… somos nós que temos necessidade dum gesto concreto, duma palavra pronunciada pelo ministro da Igreja que nos restaure na alegria e na confiança reencontrada. Este gesto, esta palavra, é o sacramento da reconciliação (ou da penitência, ou do perdão dos pecados, ou a confissão, segundo as palavras que se escolhem).



Porque me devo confessar?

Ficamos muitas vezes divididos quando falamos deste sacramento do perdão dos pecados. Atualmente, o homem contemporâneo perdeu a noção ou o sentido profundo do pecado, a palavra evoca o moralismo que dá lições, a autoridade que esmaga a consciência individual e absoluta do homem. Na verdade, a noção de pecado parece hoje opor-se ao respeito pela liberdade humana e ao desabrochar da personalidade. O sentimento de culpa aparece como o resultado maléfico de tabus inconscientes.

No Evangelho, o pecado é visto a partir da iniciativa divina que vem manifestar aos homens a sua misericórdia. Jesus apela constantemente à conversão do homem como condição fundamental para acolher a Boa Nova do Reino (cf. Mc 1, 15), e na sua acção privilegia os pecadores, porque ele não veio para os sãos mas para os pecadores, para os que estão doentes. É por isso mesmo que Ele perdoa ao paralítico (Mc 2, 5), à mulher pecadora (Lc 7, 48), à mulher adúltera (Jo 8, 11), a Zaqueu (Lc 19, 9-10), e finalmente, na Cruz aos seus algozes (Lc 23, 34).

Podemos contemplar a misericórdia de Deus nas parábolas da ovelha perdida ou do filho pródigo (Lc 15) e a gravidade do pecado no facto de Jesus ter afirmado, na Última Ceia, que o seu sangue seria derramado pela remissão (perdão) dos pecados dos discípulos e de todos os homens. O pecado é uma falta de amor que atinge a relação entre o homem e o próprio Deus e por isso reconhecemo-nos pecadores não apenas quando olhamos para nós, mas sobretudo quando nos deixamos olhar por Deus e experimentamos o amor que Ele nos tem.



Em que consiste o Sacramento da Penitência?

O Sacramento da Penitência, ou confissão, é constituído pelo conjunto de três atos da parte do penitente e pela absolvição por parte do sacerdote. Os atos do penitente são: 1º - o arrependimento dos pecados, ou CONTRIÇÃO; 2º - a CONFISSÃO ou acusação dos pecados ao sacerdote; 3º - o propósito de cumprir a penitência e as obras de REPARAÇÃO. Só os sacerdotes que receberam da autoridade da Igreja a faculdade de absolver, podem perdoar os pecados em nome de Cristo (cf. Catecismo da Igreja católica, 1491-1495).

Aquele que quer obter a reconciliação com Deus e com a Igreja deve confessar ao sacerdote todos os pecados graves que ainda não tiver confessado e de que se lembre, depois de ter examinado cuidadosamente a sua consciência. A confissão das faltas veniais, sem ser, em si, necessária, é todavia vivamente recomendada pela Igreja (cf. Catecismo da Igreja católica, 1493).



Porquê a necessidade de um sacerdote?

É uma questão muito frequente. Se Deus nos conhece, não bastaria pedir-lhe perdão pessoalmente, sem recorrer à mediação da Igreja? Não posso simplesmente elevar os olhos para o Céu e pedir perdão a Deus? Na verdade, Jesus quis dar à sua Igreja a missão de perdoar os pecados em seu nome. Jesus prometeu a Pedro e aos Apóstolos o poder de “ligar e desligar” (Mt 16, 19), ou seja, de condenar ou de absolver. Após a Ressurreição, logo que apareceu aos seus discípulos, soprou sobre eles o Espírito Santo e disse-lhes: “Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem vós perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem vós os retiverdes, ser-lhes-ão retidos” (Jo 20, 23). Jesus confere assim aos seus discípulos o poder de perdoar os pecados em seu nome e é por isso que o encontro entre o padre e o penitente exprime o encontro pessoal do pecador com Deus.



Algumas passagens bíblicas sobre o perdão de Deus

“O Filho do Homem tem na terra o poder de perdoar os pecados” – Jesus disse ao paralítico: “Homem, os teus pecados estão perdoados”. Os escribas e os fariseus começaram a murmurar, dizendo: “Quem é Este que diz blasfémias? Ninguém pode perdoar os pecados, senão Deus somente”. Mas Jesus, que conhecia os seus pensamentos, disse-lhes: “(…) o Filho do Homem tem na terra o poder de perdoar os pecados”. (Lc 5, 20-22.24).



“Àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados” – Na tarde daquele dia, o primeiro da semana, estando aos discípulos em casa com as portas fechadas (…) soprou sobre eles, e disse-lhes: “Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhe-ão perdoados, e àqueles a quem os retiverdes ser-lhe-ão retidos” (Jo 20, 19.22-23).



“Se confessarmos os nossos pecados. Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados” – Se dissermos que não temos pecados, enganamo-nos a nós mesmos e não há verdade em nós. Se confessarmos os nossos pecados, Ele que é fiel e justo para nos purificar de toda a iniquidade (…). Filhinhos meus, escrevo-vos estas coisas para que não pequeis; mas, se alguém pecou, temos um advogado junto do Pai, Jesus Cristo, o Justo” (1Jo 1, 8-9; 2,1).



“Haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se arrepende, do que por noventa e nove justos que não precisam de se arrepender” (Lc 15, 7).



Como confessar os pecados?

Normalmente começa-se por preparar a confissão fazendo o exame de consciência e pensando nos pecados que cometemos. Mas é necessário, anteriormente, colocar-se diante de Deus, da Sua Palavra, lendo uma passagem da Escritura. A escuta da Palavra, revelando-nos a misericórdia de Deus, descobre e ilumina, ao mesmo tempo, o nosso próprio pecado.

Mas o exame de consciência é apenas a primeira etapa. Preparar-se para o perdão de Deus implica a contrição, isto é, reconhecer com humildade que o pecado fere a minha relação com Deus e a minha própria dignidade. É também preparar-se, com os meios que a Igreja coloca à nossa disposição, para vencer as tentações, para tomar resoluções concretas que visem a conversão, a vida nova prometida e oferecida pela Páscoa de Jesus Cristo.

Muitas vezes somos desencorajados a pedir o perdão de Deus porque nos conhecemos e sabemos que, mais tarde ou mais cedo, voltaremos a cair no mesmo pecado. É verdade que a confissão não nos garante a conversão automática, mas este sacramento coloca-nos na humildade diante de Deus que nos ama apesar da nossa fraqueza e é por isso que este encontro se torna essencial. O sacramento da reconciliação dá-nos também uma graça especial, uma força de Deus, para nos curar das nossas fraquezas e traz um impulso á nossa caminhada cristã e é por isso que, reconhecendo-nos pecadores e fracos, sentimos a paz e a alegria depois da confissão – experimentamos como Deus é misericordioso e não desiste nunca de nós.

Depois de fazer o exame de consciência, dirijo-me ao sacerdote e confesso os meus pecados. Depois, escuto com atenção e humildade os seus conselhos e exprimo o meu arrependimento e propósito de reparação rezando o Acto de Contrição. Finalmente, o sacerdote dá-me a absolvição. Saindo do confessionário, cumpro o mais brevemente possível a obra de reparação (penitência) que me foi imposta. Se se trata de alguma oração que devo rezar, faço-o antes de me retirar da Igreja.



Como fazer o exame de consciência?

Há muitas propostas de exame de consciência, quer na vasta literatura espiritual da Igreja, quer mesmo nalguns sites. Fica aqui uma proposta para revermos a nossa vida à luz de Deus e da sua misericórdia.



I – Há quanto tempo me confessei?

Disse ao confessor todos os meus pecados graves, ou deixei por dizer algum de que me lembrava, por medo ou vergonha?



II – Examino o cumprimento das minhas obrigações para com Deus.

Faltei à Missa algum Domingo ou Dia Santo de guarda por culpa própria? Quantas vezes? Deixei algum dia de rezar? Recebi algum sacramento sem estar na graça de Deus?

Alguma vez neguei a fé verdadeira, chegando a afirmar-me ateu ou agnóstico? Tive vergonha de manifestar a minha fé? Se alguma omissão me parece mais grave, contá-la-ei ao sacerdote.

Pratiquei ou aconselhei algum ato de superstição, de bruxaria, ou outras práticas não aconselhadas pela Igreja? Assisti a alguma reunião de espiritismo, culto de seitas, ou outras manifestações de falsas religiões, procurando noutro lugar a salvação que só Jesus Cristo pode dar através da Santa Igreja e dos Sacramentos? Cheguei a considerar-me membro de outra comunidade, cristã ou não cristã, cometendo assim o pecado de cisma, heresia ou apostasia?

Procurei aprofundar a minha pertença à Igreja, participando das atividades paroquiais ou de algum movimento de obra apostólica? Procurei a formação cristã e a catequese adequada à minha idade e formação? Ou pelo contrário tenho-me afastado da vida da comunidade cristã, vivendo a minha religião de uma forma individualista, sem me preocupar com o crescimento da minha fé cristã?

Contribui para as necessidades da Igreja com as esmolas justas e possíveis? Cumpri as minhas promessas e votos? Guardei o jejum e a abstinência prescritos pela Igreja?



III – Faltei à justiça ou à caridade com o próximo?

Como filho, cumpri os meus deveres de amor, respeito, gratidão e obediência justa para com os meus pais, e sendo necessário, de ajuda e amparo? Como marido ou esposa, guardei a fidelidade no matrimónio e cumpri com as minhas obrigações de ajuda mútua, diálogo e partilha de vida do casamento? Como pai ou mãe, educo ou eduquei os filhos com amor e firmeza na obediência à lei de Deus e na pertença à Igreja? Respeitei os superiores, temporais e espirituais?

Cometi alguma falta contra os direitos sagrados da vida: homicídio, aborto, eutanásia, violência contra os outros, suicídio tentado ou planeado, uso de drogas, abuso de álcool, condução imprudente, riscos desnecessários e excessos tomados por aventurismo ou fanfarronice, ou qualquer ação que represente a violação do quinto mandamento da Lei de Deus?

Guardei a castidade? Consenti em maus pensamentos? Participei em conversas indecentes? Pratiquei alguma ação grave contra a castidade (masturbação, relações sexuais fora do casamento, leitura, audição ou visionamento de material pornográfico, práticas homossexuais)? No namoro, tenho pedido a ajuda da graça de Deus para levar por diante um relacionamento puro? No casamento, peço a ajuda da graça de Deus para ser fiel e obediente aos ensinamentos da Igreja sobre a regulação dos nascimentos?

Apropriei-me indevidamente de algo que não me pertence? Fui cumpridor no pagamento das dívidas? Devolvi as coisas emprestadas, ferramentas, utensílios, roupas, livros, etc.? Trato de maneira honesta e responsável a questão dos meus impostos? Danifiquei com culpa ou tratei com desleixo os bens alheios ou comuns? Tenho sido cumpridor dos meus deveres profissionais, trabalhando esforçadamente e obedecendo às indicações legítimas dos meus superiores? Se sou dador de trabalho ou dirigente, tenho sido justo com os meus subordinados, tratando-os com respeito e pagando-lhes o justo salário? Como estudante, cumpro as minhas obrigações, estudando com afinco e prestando provas com honestidade ou tenho “cabulado”?

Falei sempre a verdade? Prestei falso testemunho em juízo? Enganei os outros, prejudicando-os? Caluniei alguém? Ou, mesmo que não mentindo, disse mal de alguém sem verdadeira necessidade?









Quando e onde me posso confessar em Vila do Conde?

Normalmente os sacerdotes estão disponíveis para o sacramento da reconciliação às quintas-feiras, na Igreja de Matriz de Vila do Conde a partir das 19h30 e às sextas-feiras das 9h30 às 12h.

As confissões quaresmais este ano serão nestes mesmos horários nos dias 29 e 30 de Março. Na Semana Santa não haverá períodos de confissões.

segunda-feira, 19 de março de 2012


VIA SACRA: O CAMINHO DA MORTE À VIDA

Um pouco de história
A Via-sacra, ou Caminho da Cruz, é um caminho de oração muito importante, pois tem como objectivo principal levar as pessoas a meditarem naquilo que é mais fundamental no cristianismo: o mistério pascal de Jesus Cristo, a sua morte e ressurreição. os últimos passos de Jesus na terra são representados por uma série de imagens da sua Paixão, morte e sepultura, denominados estações.
Esta devoção nasceu, possivelmente, em Jerusalém. Segundo uma lenda, transmitida oralmente pelos primeiros cristãos, Maria percorreu várias vezes o caminho que Jesus seguiu desde a casa de Pilatos até ao lugar do Santo Sepulcro. A Maria começaram a juntar-se alguns dos primeiros cristãos, durante o primeiro século do cristianismo.
A devoção foi certamente adoptada pelos peregrinos, que ao visitarem Jerusalém, passaram a percorrer piedosamente a Via Dolorosa, que vai da casa de Pilatos ao Calvário e ao Santo Sepulcro. Percorrer este caminho converteu-se num hábito que qualquer peregrino devia cumprir, a partir do séc. IV.
Devido à ocupação da Terra Santa pelos muçulmanos e às grandes distâncias que era necessário percorrer, este costume passou, no século XIII da cidade Santa para as comunidades cristãs dispersas pelo mundo. Os frades franciscanos foram, como guardiães dos Lugares Santos, os grandes divulgadores desta devoção. Foi adquirindo diversas formas, segundo os lugares.
A Via-sacra estendeu-se a toda a Igreja latina, sobretudo no século XV. No entanto, o número de estações era ainda variável. Só no século XVIII, o Papa Bento XIV fixou definitivamente em catorze as estações da Via-sacra e, ao mesmo tempo, convidou todos os sacerdotes a enriquecer as suas igrejas com as suas representações:
1. Jesus é condenado à morte.
2. Jesus carrega com a cruz.
3. Jesus cai pela primeira vez.
4. Jesus encontra sua Mãe.
5. Simão de Cirene ajuda Jesus a carregar a cruz.
6. A Verónica limpa o rosto de Jesus.
7. Jesus cai pela segunda vez.
8. As mulheres de Jerusalém choram por Jesus.
9. Jesus cai pela terceira vez.
10. Jesus é despojado de suas vestes.
11. Jesus é pregado na cruz.
12. Jesus morre na cruz.
13. O corpo de Jesus é retirado da cruz.
14. O corpo de Jesus é colocado no sepulcro.

Apareceram, entretanto, algumas via-sacras com uma décima quinta estação: a que valoriza a ressurreição de Jesus, complemento imprescindível da sua morte.
Seguindo, de preferência a caminhar, as sucessivas estações da Via –sacra, tomamos mais consciência da nossa condição cristã: seguir a Cristo. E fazemos de certo modo, uma peregrinação espiritual à Terra Santa. Entre cada estação, medita-se, reza-se e canta-se, para assim, ser maior a união com Cristo.
Nas 14 estações atrás indicadas, há algumas que não estão relatadas nos Evangelhos, mas que têm a origem em lendas que passaram a fazer parte da nossa tradição; É o caso das quedas de Jesus, e dos encontros com a Verónica e com Maria. Por isso recentemente, algumas dessas estações têm sido preenchidas por acontecimentos narrados nos Evangelhos.

A Via-sacra pode ser rezada durante todo o ano litúrgico, mas adquire um significado especial durante a Quaresma, principalmente na Sexta-feira Santa. Em Roma, é o Papa que, nesse dia à noite, dirige as estações, desde o coliseu de Roma. Foi aí que morreram muitos dos primeiros mártires da história do Cristianismo.
Pode ser feita no interior de uma igreja, onde se encontram as cruzes a assinalar as estações, ou então no exterior, em forma de procissão e com uma cruz à frente.

Cf. "Somos +: Guia do catequista", Secretariado Nacional da Educação Cristã




sábado, 17 de março de 2012

O Mundo da Rede

Muita coisa mudou no mundo nos últimos anos. Mas a mais marcante das mudanças foi o acesso fácil à internet. Ela começou a divulgfar-se na segunda metade dos anos 90 e não tem parado de crescer. Emais do que um novo meio de comunicação, ela tornou-se um mundo novo. Com tudo o que de belo, perigoso e útil que isso traz.
A definição clássica diz que a internet é a possibilidade de ligar, a nível mundial, todos os computadores. É uma informação ainda verdadeira se considerarmos que dentro dos "computadores" estão os telemóveis e uma série de dispositivos portáteis. Mas o mais importante da internet não é o facto físico da ligação entre os computadores: é a ligação entre as pessoas, as organizaçõs, a mudança nos modos de pensar e de interagirmos uns com os outros.
O PADROEIRO DA INTERNET
Sabes que a internet também tem um santo padroeiro? é santo Isidóro de Sevilha, um bispo espanhol que viveu entre 560 e 636. Parece estranho irem buscar um santo tão antigo para uma realidade tão nova como a internet. No seu tempo, o início da idade média, a vida nas cidades era difícil, as bibliotecas estavam ao abandono, havia poucas escolas. Para combater a ignorância, Isidoro escreveu uma história do mundo e compilou uma enciclopédia, um resumo do conhecimento universal. Usando uma linguagem de hoje, tentou fazer um repositório de informação.

DESAFIOS / ATIVIDADES DE PESQUISA
  • Descobrir o que é um ábaco e como funciona.
  • Qual o primeiro computador (Mark I) e quais as suas caraterísticas.
  • Qual o email do papa? Enviar-lhe uma mensagem.
  • Quantos sites há hoje? Quantos havia há 10 anos atrás?
  • Pergunta nas famílias que conheces quais são as regras para o uso da internet dentro de casa.
  • Quais os países que proíbem, limitam, censuram ou controlam o acesso à internet?

Conf. Revista Catequistas 77 (Março 2012), Ed. Salesianas

quinta-feira, 15 de março de 2012

Caros amigos,
depois de algum tempo adormecido, o Blog GJKerigma voltou em força.
Faremos questão de o encher com matérias e conteúdos do nosso e vosso interesse.
Abreijos.


quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

JMJ 2011


Já foi lançado o sítio das Jornadas Mundiais da Juventude 2011 - Madrid. Mais informações em http://www.jmj2011madrid.com/. Nós estaremos lá!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Janeiras

Pois é, estivemos a cantar pelas ruas dia 26/12 e estaremos hoje e dia 30 deste ano e 04 do ano que vem - sempre a lembrar o que os Reis Magos já diziam: Venimus adorare Eum - se o tempo permitir, claro...

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Missa do Galo

Mais uma vez cabe a nós a dinamização (canto + leituras) da Eucaristia vespertina de Natal. Os ensaios são já nos dias 18 (sexta), 21 (segunda) e 23 (quarta), sempre na Matriz.
Contamos com todos!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Natal de Quem?

Mulheres atarefadas tratam do bacalhau, do peru, das rabanadas.
- Não esqueças o colorau, o azeite e o bolo-rei!
- Está bem, eu sei!
- E as garrafas de vinho?
- Já vão a caminho!
- Oh mãe, estou pr'a ver que prendas vou ter.
- Que prendas terei?
- Não sei, não sei...
Num qualquer lado, esquecido, abandonado, o Deus-Menino murmura baixinho:
- Então e Eu, toda a gente Me esqueceu?

Senta-se a família à volta da mesa. Não há sinal da cruz, nem oração ou reza. Tilintam copos e talheres. Crianças, homens e mulheres em eufórico ambiente. Lá fora tão frio, cá dentro tão quente! Algures esquecido, ouve-se Jesus dorido:
- Então e Eu, toda a gente Me esqueceu?

Rasgam-se embrulhos, admiram-se as prendas, aumentam os barulhos com mais oferendas. Amontoam-se sacos e papeis sem regras nem leis. E Cristo Menino a fazer beicinho:
- Então e Eu, toda a gente Me esqueceu?

O sono está a chegar. Tantos restos por mesa e chão! Cada um vai transportar bem-estar no coração. A noite vai terminar e o Menino, quase a chorar:
- Então e Eu, toda a gente Me esqueceu? Foi a festa do Meu Natal e, do princípio ao fim, quem se lembrou de Mim? Não tive tecto nem afecto!

Em tudo, tudo, eu medito e pergunto no fechar da luz:
- Foi este o Natal de Jesus?!

(João Coelho dos Santos in Lágrima do Mar - 1996)
O meu mais belo poema de Natal